Saudades avó...
Visitar a aldeia que te viu nascer é regressar no tempo...
És e sempre foste a minha maior referência e nunca partilhámos muito tempo juntas, mas o tempo que partilhámos foi sem dúvida muito marcante para mim.
Os sons, cheiros, imagens, cada paralelo pisado enquanto caminho traz me à memória ensinamentos profundos de grande Amor e cumplicidade que só existe entre avó e neta.
Sempre ouvi contar o quanto me desejaste, o quanto me quiseste, as promessas que fizeste se tudo corresse bem e eu nascesse perfeita, e Deus fez te a vontade.
Com poucos meses de vida, da primeira vez que me viste, sim porque antigamente a distância era tão grande, que as viagens pareciam intermináveis, fizeste questão de me despir e mergulhar na água gélida mas tão poderosa e curadora da nossa Sra da Orada, agradecendo e pagando assim a tua promessa.
Raramente me chamavas pelo nome, éramos alguns netos e assim não erravas o nome de nenhum, era sempre e apenas a menina... Ó menina vem cá... Ó menina leva isto...
Recordo me das manhãs com cheiro a café com leite e pão de quartos com manteiga e de haver sempre guardados os esquecidos para a menina, nunca mais bebi um café com leite igual, aliás nem os ovos mexidos ou estrelados, ou até mesmo as batatas fritas tiveram um sabor sequer parecido, pois o amor de quem semeia e colhe para os seus, jamais será igualado nos dias de hoje.
Recordo também a tua cumplicidade com o avô e sempre desejei para mim, ter um Amor assim, verdadeiro e para a vida toda.
Ansiava as manhãs para contigo ir dar comer aos animais, em Lisboa não havia nada disso, e com um balde numa mão e comigo pela outra, subiamos a ladeira, e nesses metros que separam a fonte de sto António e o cemitério, ambas em uníssono rezavamos o pai nosso, lembraste? Foi contigo que o aprendi, era o nosso ritual conjunto e era tão bom.
Ainda hoje quando subo aquela ladeira para te visitar no cemitério ou apenas para passear, dou por mim a rezar contigo.
Uma vez deixaste me ir sozinha com o avô para o campo, enquanto ele regava e tratava da horta, eu falava com os morangos e respirava a Felicidade de uma vida perfeita, mas quando chegou a hora do lanche e a fome apertou, tivemos de dividir os dois o pão com queijo, que era forte para a menina, mas que era o que havia na altura e que até hoje adoro de paixão, o nosso queijo da terra.
Cumpri a promessa que te fiz no dia do meu casamento, era importante para ti... E foi muito importante para mim...
Proibiste nos a todas de dar o teu nome a alguma das nossas filhas, não gostavas dele e tens um nome tão bonito, mas na aldeia Bárbara era a Ti Barba e cmo dizias, barba é a dos homens, cumpri também essa promessa, eu e todas nós.
Mais velha passei férias contigo, à noite esperava adormecerem e escapulia me para sair à noite, como os mais velhos, era novidade, e impossível de acontecer com os meus pais, e na aldeia antigamente a chave estava sempre por cima da porta, outros tempos...
Sinceramente nunca percebi se sabias ou não das minhas saídas à sucapa e peço perdão pela minha rebeldia de adolescente, mas nunca nada de mal fiz, era só msm a adrenalina de ser proibido.
Regressar à aldeia é fazer uma regressão, é regressar a ti, as imagens, os odores, as flores, o som do sino da igreja, as memórias vivas na minha cabeça que acalmam a saudade de um tempo que já não volta.
Fomos muito felizes juntas...
Também fui eu que recebi a notícia da tua partida, lembro me de todos os pormenores, a senhora do hospital dizia do outro lado do telefone, os teus pais estão? Que idade tens? E eu percebi logo... Foi a avó? Tenho de avisar o meu pai, a mãe já está na aldeia e tu já não estavas conosco...Fui eu que a 300 kms de distância avisei todos na aldeia que nos tinhas deixado...
Foi a primeira vez que vi o meu pai chorar...
Vou contar te um segredo, tenho saudades de sonhar contigo, como tantas vezes aconteceu, mas desde que casei, tu não visitaste mais os meus sonhos, descansaste eu sei, sabes que estou bem e que estou Feliz, sou te grata por tudo, descansa em Paz.
És e sempre foste a minha maior referência e nunca partilhámos muito tempo juntas, mas o tempo que partilhámos foi sem dúvida muito marcante para mim.
Os sons, cheiros, imagens, cada paralelo pisado enquanto caminho traz me à memória ensinamentos profundos de grande Amor e cumplicidade que só existe entre avó e neta.
Sempre ouvi contar o quanto me desejaste, o quanto me quiseste, as promessas que fizeste se tudo corresse bem e eu nascesse perfeita, e Deus fez te a vontade.
Com poucos meses de vida, da primeira vez que me viste, sim porque antigamente a distância era tão grande, que as viagens pareciam intermináveis, fizeste questão de me despir e mergulhar na água gélida mas tão poderosa e curadora da nossa Sra da Orada, agradecendo e pagando assim a tua promessa.
Raramente me chamavas pelo nome, éramos alguns netos e assim não erravas o nome de nenhum, era sempre e apenas a menina... Ó menina vem cá... Ó menina leva isto...
Recordo me das manhãs com cheiro a café com leite e pão de quartos com manteiga e de haver sempre guardados os esquecidos para a menina, nunca mais bebi um café com leite igual, aliás nem os ovos mexidos ou estrelados, ou até mesmo as batatas fritas tiveram um sabor sequer parecido, pois o amor de quem semeia e colhe para os seus, jamais será igualado nos dias de hoje.
Recordo também a tua cumplicidade com o avô e sempre desejei para mim, ter um Amor assim, verdadeiro e para a vida toda.
Ansiava as manhãs para contigo ir dar comer aos animais, em Lisboa não havia nada disso, e com um balde numa mão e comigo pela outra, subiamos a ladeira, e nesses metros que separam a fonte de sto António e o cemitério, ambas em uníssono rezavamos o pai nosso, lembraste? Foi contigo que o aprendi, era o nosso ritual conjunto e era tão bom.
Ainda hoje quando subo aquela ladeira para te visitar no cemitério ou apenas para passear, dou por mim a rezar contigo.
Uma vez deixaste me ir sozinha com o avô para o campo, enquanto ele regava e tratava da horta, eu falava com os morangos e respirava a Felicidade de uma vida perfeita, mas quando chegou a hora do lanche e a fome apertou, tivemos de dividir os dois o pão com queijo, que era forte para a menina, mas que era o que havia na altura e que até hoje adoro de paixão, o nosso queijo da terra.
Cumpri a promessa que te fiz no dia do meu casamento, era importante para ti... E foi muito importante para mim...
Proibiste nos a todas de dar o teu nome a alguma das nossas filhas, não gostavas dele e tens um nome tão bonito, mas na aldeia Bárbara era a Ti Barba e cmo dizias, barba é a dos homens, cumpri também essa promessa, eu e todas nós.
Mais velha passei férias contigo, à noite esperava adormecerem e escapulia me para sair à noite, como os mais velhos, era novidade, e impossível de acontecer com os meus pais, e na aldeia antigamente a chave estava sempre por cima da porta, outros tempos...
Sinceramente nunca percebi se sabias ou não das minhas saídas à sucapa e peço perdão pela minha rebeldia de adolescente, mas nunca nada de mal fiz, era só msm a adrenalina de ser proibido.
Regressar à aldeia é fazer uma regressão, é regressar a ti, as imagens, os odores, as flores, o som do sino da igreja, as memórias vivas na minha cabeça que acalmam a saudade de um tempo que já não volta.
Fomos muito felizes juntas...
Também fui eu que recebi a notícia da tua partida, lembro me de todos os pormenores, a senhora do hospital dizia do outro lado do telefone, os teus pais estão? Que idade tens? E eu percebi logo... Foi a avó? Tenho de avisar o meu pai, a mãe já está na aldeia e tu já não estavas conosco...Fui eu que a 300 kms de distância avisei todos na aldeia que nos tinhas deixado...
Foi a primeira vez que vi o meu pai chorar...
Vou contar te um segredo, tenho saudades de sonhar contigo, como tantas vezes aconteceu, mas desde que casei, tu não visitaste mais os meus sonhos, descansaste eu sei, sabes que estou bem e que estou Feliz, sou te grata por tudo, descansa em Paz.

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